Arquivos de Julho, 2008

07-23-2008

PERNAMBUCO - Quem deu nome a Ruas e Avenidas?

* Agamenon Magalhães

Político, Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães nasceu a 05 de novembro de 1894, na cidade de Serra Talhada, sertão de Pernambuco. Filho do bacharel Sérgio Nunes de Magalhães e de Antônia de Godoy Magalhães, ingressou, em 1912,na Faculdade de Direito do Recife, onde concluiu o curso de Ciências políticas e Sociais.

Foi redator do jornal "A Província" e deputado estadual em 1918. Eleito deputado Constituinte em 1932, professor da Faculdade de Direito do recife em 1934, onde só chegou a dar uma aula: convidado pelo presidente Getúlio Vargas, vai ser Ministro do Trabalho. Em 1937 é nomeado por Getúlio interventor federal em Pernambuco, cargo que só deixaria em 1945, para tornar-se Ministro da Justiça, de Vargas.

Foi autor da primeira lei brasileira de orientação anti-truste, celebrizada como a Lei Malaia, assinada por Vargas a 22 de junho de 1945 e que dava poderes ao governo para expropriar qualquer organização, vinculada aos trustes e cartéis, cujos negócios lesassem o interesse nacional - depois que assinou o decreto-lei, Getúlio Vargas não permaneceu mais cinco meses no poder, caiu deposto por um golpe militar.

Em 1946, Agamenon volta ao Congresso como deputado Constituinte, dali saindo em 1950 para ser governador de Pernambuco, eleito pelo povo. Na madrugada de 24 de agosto de 1952, morre, no Recife, vítima de enfarte do miocárdio.

* Antonio Falcão

Jornalista, nasceu a 10-05-1798, no Recife. Em 1823 foi professor do Trem Nacional (Arsenal de Guerra) e, no ano seguinte, foi diretor da Tipografia Nacional. Colaborou com a Confederação do Equador e, por isso, foi preso e processado.

Em liberdade, em 1829 novamente se envolve em movimentos políticos e volta à prisão, onde permaneceria por 14 meses.

Libertado, deixa o Recife e segue para a Europa, retornando, em seguida, ao Brasil, exatamente Rio de Janeiro, onde monta uma tipografia. Retorna ao Recife, monta uma nova tipografia e, em 1825, funda o Diário de Pernambuco. Em 1834, é nomeado oficial da Secretaria de Governo de Pernambuco.

Foi, também, secretário da província de Sergipe; administrador da Gazeta Oficial (RJ); diretor da Casa de Correção da Côrte do Império (1849); cônsul-geral do Império nos Estados Unidos (1852); oficial de gabinete do governo da província do Rio Grande do Sul (1865) e redator do Diário Oficial, no Rio de Janeiro, onde morreu, pobre, a 09-12-1878.

* Bernardo Vieira de Melo

Senhor de engenho em militar, nasceu em Muribeca, na segunda metade do Século XVII. Comandou uma das expedições no ataque final ao Quilombo dos Palmares e, como prêmio, foi nomeado governador e capitão-mor da capitania do Rio Grande do Norte (1695).

Retornou a Pernambuco em 1710 e foi nomeado comandante do terço de linha do Recife. Quando eclodiu a Guerra dos Mascates em 1710, envolveu-se no conflito e rumou para Olinda (então capital da província), onde participou dos movimentos que culminaram com a fuga (para a Bahia) do governador Sebastião de Castro e Caldas e a posse do bispo Dom Manuel Álvares da Costa.

Em seguida, o bispo é deposto do cargo e Bernardo Vieira de Melo é preso. Em 1711, chega a Pernambuco o novo governador, Félix José Machado de Mendonça Eça Castro e Vasconcelos, e este exige que Dom Manuel seja reconduzido ao cargo, para dele recebê-lo, ocasião em que Bernardo Vieira é libertado e se refugia nos Palmares.

Em 1712, Bernardo Vieira é condenado à prisão, entrega-se e é conduzido ao Recife. Em seguida, com seu filho André Vieira de Melo e mais nove companheiros derrotados na Guerra dos Mascates, é remetido para Lisboa onde morreria.

* Carlos de Lima Cavalcante

Usineiro e político, fundou no Recife, em 1927, o jornal Diário da Manhã. Foi deputado estadual, eleito na chapa Paz e Concórdia, do governador José Bezerra. Entre 1930 e 1935, governou o Estado como interventor. De 1935 a 1937, foi governador de Pernambuco, eleito pela Assembléia Legislativa.

* Cleto Campelo

Militar, Cleto da Costa Campelo Filho chegou ao Recife no início de 1926, transferido do Rio de Janeiro onde servia. Veio com um plano secreto de "levantar parte do exército pernambucano e juntar-se à Coluna Prestes" que, no dia 02 de fevereiro daquele ano, chegara ao Estado, entrando pelo Vale do Pajeú. A insurreição idealizada pelo jovem tenente teve início a 17/02/1926 e duraria muito pouco: apenas um dia. O plano foi descoberto, alguns conspiradores foram presos, mas Cleto Campelo conseguiu fugir, seguindo direto para a cidade de Jaboatão.

Em Jaboatão, Cleto Campelo e mais 25 companheiros tomaram a cadeia pública, libertaram os prisioneiros, prenderam os policiais que estavam de serviço, apossaram-se de armas e munições e cortaram a linha telefônica com o Recife. Em seguida, saquearam algumas casas comerciais, tomaram a oficina da Rede Ferroviária, apossaram-se de um trem e iniciaram uma viagem com destino às margens do Rio São Francisco, para onde seguira parte da Coluna Prestes. A primeira parada foi em Tapera e, ao chegar em Vitória de Santo Antão, onde almoçaram, o trem já levava 80 revoltosos.

Na parada seguinte, em Gravatá, ocorreria a primeira tragédia: ao descerem do trem, os revolucionários foram surpreendidos com rajadas de balas, disparadas por tropas legalistas que, entrincheiradas, aguardavam a chegada dos rebeldes. Era o dia 18/02/1926 e o primeiro a cair morto foi o comandante Cleto Campelo. Naquele momento, o pânico tomou conta da tropa, muitos revoltosos desistiram da empreitada e fugiram. A muito custo, o tenente Valdemar Lima acalmou os rebeldes, assumiu o comando do movimento e convenceu parte do grupo a seguir em frente.

Mas, a viagem não iria muito longe.

Antes de chegar a Caruaru, exatamente no povoado chamado Gonçalves Ferreira, uma sabotagem na estrada de ferro fez o trem descarrilar. Sem condições de seguir adiante, o tenente Valdemar Lima desistiu do movimento, alguns revoltosos fugiram mata adentro e, com pouco mais de 20 homens, o comandante rumou, a cavalo, para o município de Vertentes, de onde pretendiam fugir para o vizinho Estado da Paraíba. Não chegariam: no povoado denominado Topada, o grupo foi emboscado pela Polícia e quatro revoltosos foram mortos, sendo o tenente Valdemar Lima o primeiro a cair.

Dos revolucionários que escaparam, nunca mais se ouviria falar.

* Conde da Boa Vista

Francisco do Rego Barros (o Conde da Boa Vista) nasceu a 03 de fevereiro de 1802, no Engenho Trapiche, município do Cabo de Santo Agostinho. Militar e político, bacharelou-se em Matemática pela Universidade de Paris, França. Foi eleito deputado-geral pela província de Pernambuco em duas legislaturas: 1830/33 e 1850.

Por carta imperial de 06 de abril de 1850, foi escolhido senador, cargo que ocupou por 20 anos. Por duas vezes, foi governador de Pernambuco: entre 1838/41 e entre 1841/44, cargo na época denominado presidente da província.Ganhou do governo imperial os títulos de Barão da Boa Vista (1840), Visconde (1858) e Conde (1866).

Foi, ainda, comandante superior da Guarda Nacional do município do Recife e em 1865 foi nomeado comandante das Armas da Província do Rio Grande do Sul, cargo do qual pediu exoneração no ano seguinte, para retornar a Pernambuco. Morreu no Recife, a 04 de outubro de 1870.

* Dantas Barreto

Militar, escritor e político, Emídio Dantas Barreto nasceu na cidade de Bom Conselho, Agreste do Estado, a 22 de março de 1850.

Aos 15 anos de idade, alistou-se no Corpo de Voluntários da Pátria e participou da Guerra do Paraguai, obtendo medalha por sua atuação.

Terminada a Guerra do Paraguai, voltou para o Brasil. Fez curso de artilharia da Escola Militar do Rio de Janeiro. Tomou parte na Campanha de Canudos, foi ministro da guerra de Hermes Fonseca.

Sua carreira militar obedeceu a seguinte cronologia: foi tenente em 1879, capitão em 1882, major em 1890, tenente-coronel em 1894 e general em 1906. Reformou-se em 1918.

Como político, foi governador de Pernambuco (1911/1915) e senador pelo mesmo Estado entre 1916/1918.

Cronista, romancista e autor teatral, colaborou na Revista Americana (RJ) e no Jornal do Commercio (RS). Autos dos seguintes livros:

A Condessa Hermínia, teatro (1883); Lucinda e Coleta, episódios da vida fluminense (1883); Margarida Nobre, romance (1886); A Última Expedição de Canudos, história, (1898); Acidentes da Guerra – Operações de Canudos, história, (1915); Expedição de Mato Grosso – A revolução de 1906 (1907); Impressões Militares (1910); A Destruição de Canudos, ensaio (1912); Discurso Político (1912); Conspirações (1917).

Morreu no Rio de Janeiro, a 08 de março de 1931.

* Gervásio Pires

Comerciante e político, nasceu no Recife, a 26-06-1765. Proprietário de uma grande casa comercial em Lisboa, retornou a Pernambuco em 1808, quando Portugal foi invadida pelos franceses.

No Recife, continuou seus negócios e aderiu à Revolta Pernambucana de 1817, sendo eleito presidente do erário nacional da proclamada República.

Com a derrota do movimento revolucionário, foi preso e levado para a Bahia, onde permaneceu quatro anos na prisão. Libertado em 1820, voltou a Pernambuco.

Em 1821, torna-se o primeiro presidente constitucional surgido no Brasil, depois que os pernambucanos derrubaram do poder o governador Luís do Rego Barros (um truculento português que assumira após a revolta de 1817), decretaram a independência de Pernambuco e elegeram uma junta governativa democrática e independente, através do ato que foi batizado de Convenção de Beberibe.

A junta provisória de governo era independente de Lisboa apenas de fato e não de direito e, em 1822, Gervásio Pires é deposto, preso e remetido para a Bahia e, em seguida, para Lisboa.

Em 1823, é posto em liberdade, retorna ao Brasil e elege-se deputado por Pernambuco nas duas primeiras legislaturas do Império. No Parlamento, integrou a comissão especial que analisou a demissão da regência trina. Depois, foi, por vários anos, conselheiro do governo de Pernambuco

* Herculano Bandeira

Político, Herculano Bandeira de Melo nasceu em Nazaré da Mata, a 23 de março de 1850. Integrante do Partido Conservador (PCI), foi deputado provincial entre 1871/1877, constituinte em 1891 e deputado federal por três ocasiões: 1895/1897, 1897/1900 e 1900/1901.

Senador entre 1901/1908 e governador de Pernambuco entre 1908/1911.Servidor público, advogado e magistrado, foi juiz substituto em Nazaré em 1888.

Morreu no Recife, a 19 de março de 1916.

*Marques de Olinda

Político, Pedro de Araújo Lima, o Marquês de Olinda, nasceu em Serinhaém a 22-12-1793. Em Portugal, representou Pernambuco, em 1821, como deputado à Corte de Lisboa.

De volta ao Brasil, elegeu-se deputado constituinte (RJ) em 1823. De 1827 a 1837, foi deputado em várias legislaturas, ocupando por duas vezes a presidência da Câmara.

Senador em 1837, Ministro do Império em várias ocasiões (1823, 1827, 1832, 1837), presidiu por quatro vezes o Conselho de Ministros.

Foi, também, regente do Império, no período entre 1837 e 1840, passando o poder para D. Pedro II declarado maior de idade pela Assembléia Legislativa. Em 1841, voltou a ocupar sua cadeira no Senado. Em 1862, presidiu o Gabinete dos Velhos e em 1865 chefiou o Gabinete das Águias.

Morreu no Rio de Janeiro, a 07-10-1870.

* Padre Carapuceiro

Jornalista, religioso e político, Miguel do Sacramento Lopes Gama, ou Padre Carapuceiro, nasceu no Recife, a 29 de setembro de 1791. Entrou para o Mosteiro de São Bento (Olinda) em 1805; depois transferiu-se para a Bahia onde recebeu as ordens religiosas e, em seguida, retornou a Pernambuco.

Professor de Retórica no Seminário de Olinda (1817); redator do Diário do Governo (1823); diretor da Tipografia Nacional (1824); vice-diretor dos cursos jurídicos de Olinda (1840).

Eleito deputado à Assembléia Provincial de Pernambuco, elege-se em 1852 representante da província de Alagoas ao Parlamento Nacional. Publicou vários livros, entre os quais "Lições de Eloqüência Nacional" (RJ, 1846) e "Observações Críticas sobre o Romance do Senhor Eugenio Sue, o Judeu Errante" (PE, 1850). Fundador do jornal O Carapuceiro (1832).

Morreu a 09 de dezembro de 1852.

Posted by luizherman in Noticias | No Comments »

07-23-2008

PERNAMBUCO - FENOMENOS NATURAIS


AVANÇO DO MAR


Atinge toda a orla da cidade de Olinda. Os primeiros ataques pelo mar datam de 1925, quando quarteirões inteiros do bairro dos Milagres, Farol, Carmo e São Francisco foram tragados pelo mar. Na década de 1950, metade da Avenida José Soriano (hoje inexistente), no Carmo, foi complemente tragada num curto prazo de seis meses.

Para impedir o avanço do mar na cidade, o primeiro passo foi dado em 1956, quando o governo federal começou a estudar a instalação de um cais semi-submerso. A obra arrastou-se ao longo dos anos, até que os diques alcançaram a divisa de Olinda com a cidade de Paulista.

Segundo os pesquisadores, o avanço do mar tem as seguintes causas: as ondas em Olinda quebram ligeiramente inclinadas; os rios da cidade (Beberibe e Doce) não têm descarga sólida (areia e outros materiais) para realimentar a praia; alterações das correntes, provocadas pela construção do Porto do Recife.


GRANDES ENCHENTES


O período das grandes enchentes em Pernambuco tem sido de junho a agosto. Entre os meses de janeiro e fevereiro só há registros, em toda a História, de duas pequenas inundações. E assim mesmo restritas a algumas áreas do Recife. Acompanhe aqui todas as enchentes que já castigaram o Estado.


1632 - A 28 de janeiro, ocorre a primeira enchente de que se tem notícia no Recife, "causando perdas de muitas casas e vivandeiros estabelecidos às margens do Rio Capibaribe".


1638 - Maurício de Nassau manda construir a primeira barragem no leito do Rio Capibaribe para proteger o Recife das enchentes: foi o Dique de Afogados, que tinha mais de 2 km e hoje é uma rua do Recife, a Imperial.


1824 - Entre fevereiro e abril, nova enchente atinge o Recife.


1842 - Junho. Enchente atinge o Recife, derrubando várias casas. Pontes desabaram; trens saíram dos trilhos; milhares de pessoas ficaram desabrigadas. Foi a primeira enchente de grandes proporções do Rio Capibaribe.


1854 - Foi a maior enchente do século. Durou 72 horas, atingindo todos os bairros do Recife. Derrubou a muralha que guarnecia a Rua da Aurora; parte do cais da Casa de detenção veio abaixo; a cidade ficou sem comunicações com o interior; no Porto do Recife, os navios foram atirados uns contra os outros.


1862 - Nova enchente castiga o Recife.


1869 - Grande enchente destrói as pontes da Torre, Remédios e Barbalho, e rompe os aterros da via férrea do Recife. Foi a maior enchente até então, tendo o imperador Pedro II determinado que o engenheiro Rafael Arcanjo Galvão viesse a Pernambuco "estudar o problema".


1870 - A 16 de Julho, o bacharel em matemática e ciências físicas José Tibúrcio Pereira de Magalhães, diretor de Obras e Fiscalização do Serviço Público do Estado, sugere ao governo imperial a construção de uma série de barragens nos principais afluentes do Rio Capibaribe, para evitar cheias no Recife.


1884 - Outra enchente atinge o Recife.


1894 - Em junho, enchente atinge todos os subúrbios recifenses situados às margens do Rio Capibaribe.


1899 - 01 de Julho. Vários bairros do Recife foram inundados por cheia do Rio Capibaribe. No município de Vitória de Santo Antão, desaba o segundo encontro da ponte sobre o Rio Itapicuru.


1914 - Outra enchente desaba sobre o Recife, deixando vários mortos.


1920 - A 14 de Abril, grande enchente deixa Recife isolada do resto do Estado, durante três dias. Postes foram derrubados; linhas telegráficas interrompidas; trens paralisados; pontes vieram abaixo, entre elas a da Torre. Os bairros de Caxangá, Cordeiro, Várzea e Iputinga ficaram totalmente isolados do resto da cidade.


1924 - Nova enchente deixa os bairros da Ilha do Leite, Santo Amaro, Afogados, Dois Irmãos, Apipucos, Torre, Zumbi e Cordeiro complemente submersos. O prédio do Serviço de Saúde e Assistência desabou e as obras do Quartel do derby sofreram grandes prejuízos.


1960 - Nova enchente do Rio Capibaribe castiga o Recife.


1961 - Enchente deixa 2 mil pessoas desabrigadas no Recife.


1965 - Outra enchente castiga o Recife. Os bairros de Caxangá, Iputinga, Zumbi e Bongi ficaram complemente inundados. Nas áreas mais próximas ao Rio Capibaribe, a água cobriu o telhado das casas.


1966 - Enchente catastrófica provocada pelo Rio Capibaribe, com a água atingindo mais de 2 metros de altura, nas áreas mais baixas do Recife. Em poucas horas, toda a extensão da Av. Caxangá foi transformada num grande rio. Na capital e interior, mais de 10 mil casas (a maioria mocambos) foram destruídas e outras 30 mil sofreram danos, como paredes derrubadas. Morreram 175 pessoas e mais de 10 mil ficaram desabrigadas. O nível do Rio Capibaribe subiu 9,20 metros além do nível normal. O presidente da República, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, veio ao Recife verificar os danos causados.


1967 - A Sudene apresenta relatório de uma comissão de técnicos, constituída logo após a enchente de


1966 - Para encontrar soluções para o problema. O relatório sugere a construção de barragens nos seus principais afluentes e no próprio Rio Capibaribe, que é a mesma sugestão apresentada quase um século antes pelo engenheiro José Tibúrcio.


1970 - Ocorrem duas enchentes em Pernambuco. Em Julho, as águas atingem a zona da Mata Sul e o Agreste do Estado, por conta do transbordamento dos rios Una, Ipojuca, Formoso, Tapacurá, Pirapama, Gurjaú, Amaraji e outros. A cidade que mais sofreu foi o Cabo, que teve 04 dos seus 05 hospitais inundados e várias indústrias pararam suas atividades. No Recife, as águas da Capibaribe causaram grande destruição. Na capital e interior, 500 mil pessoas foram atingidas e 150 morreram; 1.266 casas foram destruídas em 28 cidades. Só no Recife, 50 mil pessoas ficaram desabrigadas.


Em Agosto, nova cheia atinge o Recife e Olinda, desta vez provocada pelo Rio Beberibe. Em Olinda, 5 mil pessoas ficaram desabrigadas e foi decretado estado de calamidade pública.


1973 - Material de propaganda da Secretaria de Obras do governo do Estado anuncia, em letras garrafais, que a Barragem de Tapacurá, inaugurada naquele ano, era solução definitiva para dois graves problemas que afetavam o Recife: abastecimento de água da população e "o fim" das enchentes no Recife.


1974 - Outra enchente atinge o Recife. A Comissão de Defesa Civil, que tinha previsão do avanço das águas, retirou a tempo a população das área ribeirinhas. Em São Lourenço da Mata, uma ponte ficou parcialmente destruída e a população isolada. No município de Macaparana, 20 pessoas morreram, por conta do transbordamento do riacho Tiúma.


1975 - Considerada a maior calamidade do século, esta enchente ocorreu entre os dias 17 e 18 de Julho, deixando 80% da cidade do Recife sob as águas. Outros 25 municípios da bacia do Capibaribe também foram atingidos. Morreram 107 pessoas e outras 350 mil ficaram desabrigadas.


Na capital e interior, 1.000 km de ferrovias foram destruídos, pontes desabaram, casas foram arrastadas pelas águas. Só no Recife, 31 bairros, 370 ruas e praças ficaram submersos; 40% dos postos de gasolina da cidade foram inundados; o sistema de energia elétrica foi cortado em 70% da área do município; quase todos os hospitais recifenses ficaram inundados, tendo o depósito de alimentos do Hospital Pedro II. sido saqueado. Por terra, o Recife ficou isolada do resto do País durante dois dias.

O governador Moura Cavalcanti decretou estado de calamidade pública na capital e em 09 municípios do interior. O presidente da República, em cadeia nacional de televisão, anunciou medidas para socorrer as cidades pernambucanas atingidas. No Recife, a cheia atingiu seu ponto culminante às 04 da madrugada do dia 18.

Na manhã do dia 21, quando as águas baixaram e a população começava retomar a vida, o pânico tomou conta das ruas do Recife, em decorrência de um boato de que a Barragem de Tapacurá havia estourado e que a cidade seria arrasada.

Tudo ocorreu às 10 horas: de repente, a multidão corria de um lado para outro sem saber aonde ir; mulheres desmaiavam; os carros não respeitavam sinais nem contra-mão; guardas de trânsito abandonavam seus postos; várias pessoas foram atropeladas; bancos, casas comerciais e a agência central dos Correios fecharam as portas; no Hospital Barão de Lucena várias pessoas pularam do primeiro andar; enquanto o boato se espalhava de boca em boca.

No Palácio do Governo, ao saber do que estava acontecendo, o governador Moura Cavalcanti comentou: "Agora não é mais tragédia, agora é mortandade". As emissoras de rádio passaram imediatamente a divulgar insistentes desmentidos. A Polícia Militar divulgou nota oficial informando que prenderia quem fosse flagrado repetindo o alarme.

A Polícia Federal anunciou que estava investigando a origem (nunca descoberta) do boato. O pânico durou cerca de duas horas, mas seu momento de maior intensidade teve cerca de 30 minutos. Mais de 100 pessoas foram atendidas nos serviços de emergência dos hospitais.

Passado o pânico, técnicos da Companhia de Abastecimento de Água informaram que um rompimento da Barragem de Tapacurá (que tem capacidade para 94 milhões de metros cúbicos de água e nada sofrera com a enchente) traria conseqüências imprevisíveis para a cidade do Recife.


1977 - A 01 de Maio, nova enchente do Rio Capibaribe deixa 16 bairros do Recife embaixo d'água. Olinda e outras 15 cidades do interior do Estado também foram atingidas. Mais de 15 mil pessoas ficaram desabrigadas e só não foram registradas mortes porque a população das áreas ribeirinhas foram retiradas 24 horas antes. São Lourenço da Mata foi o município mais atingido. Em Limoeiro, houve desabamento de ponte.


1978 - A 29 de Maio, o presidente da República, Ernesto Geisel, vem ao Recife inaugurar a Barragem de Carpina, construída para conter as enchentes do Rio Capibaribe. Com 950 metros de comprimento, 42 metros de altura, a barragem tem capacidade para armazenar 295 milhões de m3 de água e fica a maior parte do ano seca, só enchendo no período chuvoso.


2000 - Entre os dias 30 de julho e 01 de agosto, fortes chuvas castigaram o Estado, inclusive a Região Metropolitana do Recife, deixando um total de 22 mortos, 100 feridos e mais de 60 mil pessoas desabrigadas. Cidades foram parcialmente destruídas, tendo ás águas que transbodaram dos rios levado pontes e casas.


As chuvas foram anunciadas com 40 dias de antecedência pelos serviços de meteorologia, mas as autoridades governamentais deram pouca importância à previsão. As chuvas atingiram 300 milímetros em apenas três dias e só na RMR aconteceram 102 deslizamentos de barreiras. No município de Belém de Maria, com 15 mil habitantes, 450 casas foram arrastadas pelas águas.

O centro de Palmares ficou complemente debaixo de água e em Barreiros a água atingiu o teto do hospital da cidade. Dos 33 municípios seriamente atingidos, em 16 foi decretado estado de emergência e em 17 estado de calamidade pública, entre os quais Rio Formoso, Gameleira, Belém de Maria, Goiana, Cupira e São José da Coroa Grande.

O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, veio a Pernambuco observar de perto os efeitos da calamidade e, dias depois, autorizou a liberação de apenas 30% dos R$ 129 milhões que, segundo levantamenteo do governo do Estado, seriam os recursos emergenciais necessários para recuperação das áreas atingidas.


2004 - Fortes chuvas entre 08 de janeiro 02 de fevereiro de 2004 castigam todas as regiões do Estado, deixando 36 mortos e cerca de 20 mil pessoas desabrigadas. As chuvas (jamais registradas entre os dois primeiros meses do ano) foram provocadas por fenômenos atípicos (frente fria e outros) e destruíram pontes e estradas, açudes romperam, casas desabaram, populações inteiras ficaram ilhadas.


Treze cidades ficaram em estado de calamidade pública e 76 em estado de emergência. Petrolina, no sertão do São Francisco, ficou vários dias isolada, depois que as águas levaram a estrada de acesso à cidade. Todos os açudes e barragens do Sertão e Agreste transbordaram, inclusive a gigantesca Barragem de Jucazinho, em Surubim. De acordo com levantamento do governo estadual, os prejuízos em todo o Estado chegaram a R$ 54 milhões.


2005 – Entre os dias 30 de maio e 02 de junho, fortes chuvas provocaram enchentes em 25 cidades do Agreste, Zona da Mata e Litoral pernambucanos, deixando 36 mortos e mais de 30 mil pessoas desabrigadas.


Cerca de 07 (sete) mil casas foram parcialmente ou totalmente destruídas; 40 pontes foram danificadas; 11 rodovias estaduais foram atingidas, sendo que sete delas ficaram interditadas; a água inundou ruas centrais, hospitais, escolas e casas comerciais de várias cidades, provocando enormes prejuízos materiais.

Pouco mais de 30 mil estudantes da rede estadual de ensino ficaram vários dias sem aulas, porque em todas as cidades atingidas 93 escolas foram danificadas e outras 11 foram transformadas em abrigos para os desabrigados.

As cidades mais atingidas: Moreno, Vitória de Santo Antão, Jaboatão, Nazaré da Mata, Pombos, Ribeirão, Cabo e Escada. O município que teve o maior número de casas destruídas ou parcialmente danificadas foi Vitória: 5 (cinco) mil casas.

Posted by luizherman in Noticias | No Comments »

07-23-2008

PERNAMBUCO - Curiosidades


PRIMEIRO TELEFONE


A telefonia em Pernambuco teve início a 27 de abril de 1882, com a instalação, no Recife, do primeiro telefone: ligando o palácio da presidência da província à Secretaria de Polícia. A responsável pela instalação foi a Empresa Telefônica Bourgard, de José Leopoldo Bourgard, primeiro concessionário dos serviços telefônicos no Estado.


ÁGUA E ESGOTO


O primeiro sistema de abastecimento de água do Recife foi implantado em 1837, a partir do Açude de Apipucos, através da Companhia de Beberibe. Já o primeiro sistema de esgotos surgiu em 1868, instalado pela Recife Draynage Company Limited. Atualmente, esses dois serviços são administrados pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), do governo do Estado.


PIONEIRISMO


- O introdutor do uso de éter no Brasil foi o médico pernambucano Daniel Oliveira Barros de Almeida, que também organizou o primeiro fichário de anestesia no continente americano.

- O primeiro cardeal do Brasil foi o pernambucano Cardeal Arcoverde.

- O autor do primeiro compêndio brasileiro de teoria e prática do processo civil comparado com o comercial foi o pernambucano Francisco de Paula Baptista.

- Um dos primeiros engenheiros calculistas da estrada Rio-Niterói foi o pernambucano Joaquim Cardozo, que, aliás, também calculou Brasília.

- O criador e mais importante autor do moderno teatro brasileiro foi o recifense Nelson Rodrigues.

- A mais antiga igreja do Brasil, a dos Santos Cosme e Damião, está no município pernambucano de Igarassu.

- O poeta recifense Solano Trindade, fundador do Teatro Popular Brasileiro, é considerado o criador da poesia verdadeiramente negra do Brasil.

- Os primeiros estudos sobre a Costa brasileira foram realizados pelo pernambucano Manuel Antônio Vital de Oliveira, hidrógrafo-padrão da Marinha do Brasil.

- A primeira comédia escrita por um brasileiro (representada em teatro, em 1780) é de autoria do pernambucano Luís Alves Pinto.

- Diretor da Biblioteca Nacional entre 1900 e 1924, o pernambucano Manuel Cícero Peregrino da Silva foi pioneiro no Brasil em planejamento de documentação bibliográfica e na formação de bibliotecários.

- O pioneiro da comunicação visual no Brasil foi o pernambucano Aloísio Magalhães.

- Quem estabeleceu os primeiros contatos amigáveis com os índios Xavantes foi o sertanista Francisco Meireles, pernambucano.

- O introdutor, no Brasil, dos métodos da chamada Escola Nova (1900) foi o pernambucano Antônio Carneiro Leão.

- O autor de "História Sincera da República", marco da historiografia marxista no Brasil, é o pernambucano Leôncio Basbaum.

- A primeira Assembléia Legislativa da América do Sul foi criada em Pernambuco (Domínio Holandês).

- Autor do livro "Casa Grande & Senzala", o escritor pernambucano Gilberto Freyre é considerado o pai da sociologia brasileira.

- O criador do primeiro mural de arte abstrata da América Latina foi o pintor pernambucano Cícero Dias.


ZEPPELIN NO RECIFE


O dirigível alemão, que media 235 metros de comprimento, chegou a uma velocidade espantosa para uma aeronave do seu porte: 110 quilômetros por hora. Sua missão era estabelecer o tempo que os dirigíveis levariam para se deslocar da Europa Central até o Brasil, a fim de determinar sua viabilidade econômica como transporte de cargas.

E, quando o "Graf Zeppelin" atracou no Recife, o sucesso foi comemorado: a travessia do Atlântico foi feita em tempo recorde (três dias) e a cidade, local do primeiro pouso, parou diante do espetáculo.

Tudo aconteceu numa quinta-feira, 22 de maio de 1930, ao mesmo tempo em que no Rio de Janeiro o Congresso Nacional proclamava eleito o presidente da República, Júlio Prestes. Mas os jornais de Pernambuco só estamparam em suas primeiras páginas um único assunto: a chegada do dirigível, ocorrida exatamente às 18h35m.

A recepção ao Zeppelin, que havia deixado a base de Friedrichshaven, na Alemanha, às 17h do dia 18 de maio, foi minunciosamente preparada pelas autoridades governamentais.

O prefeito do Recife decretou feriado municipal. O governador de Pernambuco, Estácio Coimbra, sancionou um extenso decreto estabelecendo como os recifenses deveriam se comportar no dia da chegada do "grande navio aéreo", decreto este que regulamentava até mesmo "o tráfego de veículos e pedestres na cidade".

Para atender a multidão que pagou três mil contos de réis pelo acesso ao Campo do Jiquiá, construído especialmente para o pouso, a Great Western colocou vários trens extras, e 1.010 policiais trabalharam no local.

O grande interesse pela chegada do "Graf Zeppelin" ao Recife tinha uma justificativa: aquela era a primeira vez que o dirigível atracava não só no Brasil, como também na América do Sul.

Além disso, o dirigível, criado no final do século anterior pelo engenheiro alemão Ferdinand von Zeppelin, era o que havia de mais avançado em tecnologia de grandes aeronaves mais leves do que o ar. Equipado com cinco motores Maybach de 530 HP cada, tinha capacidade para transportar nove toneladas de carga, 20 passageiros e 26 tripulantes.

Os Zeppelins eram aeróstatas dirigíveis, de tipo rígido, e, entre 1904 e 1914, foram construídos na Alemanha 25 aparelhos de grande porte, o que deu àquele país a liderança mundial na tecnologia de aeronaves mais leves do que o ar.

O exército e a marinha alemães compraram alguns desses dirigíveis e os outros foram usados por empresas aéreas para transporte a longas distâncias. Dois ficaram mundialmente famosos: o "Hindenburg", concluído em 1936, e o "Graf Zeppelin", que fez a primeira viagem ao Brasil.

Os dirigíveis alemães eram considerados tão confortáveis quanto um transatlântico. Sua carcaça era de alumínio, em forma de cilindro, revestida interiormente de um tecido de seda envernizada, onde ficavam os camarotes da tripulação e as instalações para passageiros e cargas.

Suas dimensões variavam de acordo com a capacidade de transporte do aparelho que era cheio de bolsões de hidrogênio, altamente inflamável. O gás, menos denso que a atmosfera, permitia ao dirigível se deslocar sem consumir combustível.

O dirigível que veio ao Recife tinha 235 metros de comprimento, 33,5 metros de altura e 30,5 metros de diâmetro. Sua força de elevação era de 129 toneladas e as instalações para passageiros eram compostas de dez camarotes com duas camas cada, sala de jantar e de recreio e banheiros.

Voava a uma altura de 150 a 200 metros, com velocidade máxima de 130 km/hora. Depois do primeiro pouso, o "Graf Zeppelin" fez várias viagens ligando o Brasil à Europa, passando quinzenalmente pelo Recife.

Como as mais de cem aeronaves do seu tipo que na década de 1930 circulavam por várias partes do mundo, o "Graf Zeppelin" foi retirado de uso depois que o "Hindenbrg", atingido por um raio, explodiu no ar, em maio de 1937, nos Estados Unidos, matando 37 pessoas.

Estava encerrada a carreira do grande dirigível que, ao pousar no Recife, foi assim aclamado pelo Jornal Pequeno: "Ninguém mais tem dúvida de que ele será, no futuro, o meio preferido, principalmente pela segurança, para o comércio entre os povos dos continentes".

Posted by luizherman in Curiosidades | No Comments »

07-19-2008

PERSONAGEM PERNAMBUCANO

FRANCISCO BRENNAND
"Mestre dos Sonhos"

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu a 11 de junho de 1927,  na cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco.

Em novembro de 1971, o artista começou a reconstruir a velha Cerâmica São João da Várzea, fundada pelo seu pai em 1917. Esse conjunto, encontrado em ruínas, deu início a um colossal projeto de esculturas cerâmicas que deveriam povoar os espaços internos e externos do ambiente.

Hoje, após mais de 34 anos de trabalho intenso e obsessivo, confrontamo-nos com esse complexo escultórico, cujo significado dá relevo a um sentido cosmogônico e, ao mesmo tempo, visionário de Francisco Brennand. O escritor e arquiteto Fernando de Barros Borba define as características da arte brennandiana como poucos o fizeram.

Posted by luizherman in Noticias | No Comments »